Valha-me Anhangá!

Você que vê o rio
E quer canalizar
Anhangá vai te afogar!

Você que vê o peixe
E quer logo pescar
Anhangá vai te fisgar!

Você que vê bicho
E só pensa em matar
Anhangá vai te caçar!

Você que vê a mata
E quer derrubar
Anhangá vai te cortar!

Você que vê gente
E já quer explorar
Anhangá vai se vingar!

Você que vê curva
E quer retificar
Anhangá vai te emendar!

Você que vê terra
E já vem asfaltar
Anhangá vai te enterrar!

Você que vê público
E quer privatizar
Anhangá vem te buscar!

Você que está certo
De que nesse mundo
Justiça não há
Quando dormir
E começar a sonhar
Verá o implavável Anhangá.

Ele vem e não há de falhar
Quando ele assobiar
Não adianta correr
Não adianta implorar
Nem tente se esconder
Pois ele há de te achar.

Damnant speculatores

Malditos sejam os especuladores imobiliários

Porque eles criam os infernos das nossas cidades!

Malditos sejam aqueles que transformam a terra em mercadoria

Porque essa mercadoria também há de comê-los!

Malditos sejam os que negam teto ao desabrigado

Porque, para eles, não haverá abrigo em nenhum coração!

Malditos sejam os que apagam histórias

Porque suas histórias também serão apagadas!

Malditos sejam os que destróem nossa paisagem

Porque, da nossa paisagem, eles serão destruídos!

Malditos sejam os que arrombam a terra com máquinas

Porque, quando cavam, estão se aproximando do inferno!

Amaldiçoados sejam todos aqueles que fazem do trabalho humano e da terra seu lucro

Porque o lucro irá corroê-los e deixá-los sem alma.